Ai, que fase saudosista! Ainda hoje uma menina de uns quatro anos disse pra mãe dela: mãe, eu não sou cor da pele, eu sou cor de laranja. E criança pode ser o que quiser. E eu fui. Acreditei em papai-noel até os sete anos, volta e meia eu ainda acredito, às vezes vale à pena. Se eu pedia um picolé e a minha mãe dizia que não tinha dinheiro, com a praticidade dos oito anos eu respondia: dá um cheque, ué! Quando o Brasil foi campeão na olimpíada de 92 eu achava que contavam 12 medalhas de ouro no quadro geral. Mas não, só valia uma. Vi TV preto e branco até os quatro anos de idade, a TV colorida com caixa que lembrava madeira me hipnotizava. Eu achava que todos os programas eram ao vivo, incluindo os comerciais, e pensava: que chato ficar repetindo sempre a mesma coisa. Os jornalistas eram gênios, sabiam de tudo. Eu adorava encapar os cadernos, minha caixa com 24 lápis-de-cor era meu tesouro e os tênis deixavam de servir de um ano pro outro. Agora, que eu calço o mesmo número há 15 anos e há pelo menos dez não escrevo uma carta à mão (nem pro Papai Noel, nem pra Xuxa e nem pra Hellen, lá em Torres) as coisas são bem menos mágicas. Não são melhores, nem piores. São diferentes. Há encantos em todas as fases da vida. Mas nada como poder achar que se é cor de laranja ao invés de cor da pele.sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Ai, que fase saudosista! Ainda hoje uma menina de uns quatro anos disse pra mãe dela: mãe, eu não sou cor da pele, eu sou cor de laranja. E criança pode ser o que quiser. E eu fui. Acreditei em papai-noel até os sete anos, volta e meia eu ainda acredito, às vezes vale à pena. Se eu pedia um picolé e a minha mãe dizia que não tinha dinheiro, com a praticidade dos oito anos eu respondia: dá um cheque, ué! Quando o Brasil foi campeão na olimpíada de 92 eu achava que contavam 12 medalhas de ouro no quadro geral. Mas não, só valia uma. Vi TV preto e branco até os quatro anos de idade, a TV colorida com caixa que lembrava madeira me hipnotizava. Eu achava que todos os programas eram ao vivo, incluindo os comerciais, e pensava: que chato ficar repetindo sempre a mesma coisa. Os jornalistas eram gênios, sabiam de tudo. Eu adorava encapar os cadernos, minha caixa com 24 lápis-de-cor era meu tesouro e os tênis deixavam de servir de um ano pro outro. Agora, que eu calço o mesmo número há 15 anos e há pelo menos dez não escrevo uma carta à mão (nem pro Papai Noel, nem pra Xuxa e nem pra Hellen, lá em Torres) as coisas são bem menos mágicas. Não são melhores, nem piores. São diferentes. Há encantos em todas as fases da vida. Mas nada como poder achar que se é cor de laranja ao invés de cor da pele.quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Ai que cheiro de mofo que já tava neste blog! Ainda bem que eu não tenho rinite, e peço desculpa pra quem tem e volta e meia passa por este blog empoeirado pra ver se eu criei vergonha na cara de atualizá-lo. Então, depois de um longo e tenebroso inverno quente eu apareci com um assunto malemolente, cheio de charme, swing, elegância, envolvência, carisma e que eu acho que deve ser um assunto cheiroso também (ainda não tive a chance de ‘cafungar’ no cangote do assunto). Vim falar do Rick Martin. Que quê foi? Ta rindo de quê? Nunca dançou “Não se reprima”? Nunca mesmo? Pensa bem. E aquele casamento da tia encalhada em 87? Hã? E aquela festa de final de ano da oitava série em 92? Heim? Festa Trash! Festa Trash anos 80 tá na moda e sempre toca “Não se Reprima”! O quê? Não dançou “Não se reprima”? Ah, nem vem, “Não se reprima”, “Macarena” e “Segura o tcham, amarra o tcham” todo mundo já dançou. E desta velharia toda me restou o Rick (pros mais íntimos). Noite passada ainda sonhei que estava num show dele. Acordei me perguntando: Hã? O Rick Martin canta? É que o mínimo de senso eu ainda tenho e sei que a voz não é o principal atrativo deste latino que, dizem as más, mas muito más línguas, a única mulher que ele gosta é a mãe dele. Bem, certas coisas não se explica! Não tem quem torça pro Avaí? Não tem quem tome Pepsi Light? Não tem quem assista Caminhos do Coração, na Record? Não tem quem ouça Kalypso? Já ouvi dizer que tem até gente que gosta de batata frita com goiabada. Então, eu simplesmente gosto do Rick Martin. Vou fazer o quê? E quer saber? Desespere-se: não sou só eu que gosto dele. Uma geração inteira de meninas que usavam cabelo tipo Chitãozinho e Xororó, tênis Conga (as botas de plástico da Xuxa vieram depois) e que ligavam a TV (sem controle-remoto) e assistiam um grupo de cinco magrelos com roupas parecidas com a do Jaspion fazendo playback no Maracanã lotado de adolescentes histéricas está no mesmo barco que eu. As fãs do Rick Martin estão por aí. Pode ter uma bem do seu lado e você nem sabe. Porque nem todas gostam declaradamente como eu e algumas das minhas amigas balzaquianas. E ó, se conselho se fosse bom a gente não dava, vendia: mas se você também gosta do Rick Martin, não segure muito seus instintos porque isso não é natural, não se reprima, menina! E digo mais: um, dois, três, um passito adiante, Maria, um, dois, três, um passito pra trás! Uepa!!!!!!!sexta-feira, 27 de junho de 2008
Quatro dias trabalhando no Congresso Brasileiro de Prevenção das DST/Aids, aqui em Floripa, me proporcionou uma das coisas que mais gosto: conhecer gente. Na abertura um desafio: sair pelos corredores do Congresso, descobrir personagens e escrever sobre eles. O resultado ta aí.Ilustres desconhecidos
A elegância chamou a atenção. Savana de longo vermelho e Renata de longo preto vieram a caráter para a abertura do VII Congresso de Prevenção às DST /Aids, na noite do dia 25 de junho. Transexuais, as duas vêm de Pelotas, Rio Grande do Sul, onde trabalham na noite. Savana, de 27 anos e quase 1,90m acredita que o preconceito ainda é uma grande barreira a ser enfrentada. Para Renata, no auge de seus 43 anos e quase 1,80m, a surpresa foi ouvir coisas novas. “Pelo menos aqui percebi que não se ouve sempre a mesma coisa”, diz Renata, que não revela sua identidade. Savana, que na verdade é Eder Guimarães, vai transmitir o que aprender aqui no evento para suas colegas de profissão em Pelotas. Ambas estão ansiosas pelo desfila da Grife Daspu, na noite de quinta, dia 26.
Em pé, perto da porta de entrada do salão de eventos, uma roda coesa de cinco jovens que não escondia o frio durante a cerimônia, aguardava a chegada das autoridades para a abertura do Congresso. Os jovens vindos de João Pessoa, na Paraíba, com média de idade de 20 anos, são atores que fazem parte da ONG Amazônia. Há onze anos, quando foi fundada, esta ONG era destinada a atender prostitutas e se chamava “Amar a zona”. A Amazônia hoje atua junto a associações comunitárias de João Pessoa com foco na prevenção das DST /Aids. Os jovens vão apresentar a peça “O boi da feira”, que vai tratar de assuntos ligados à prevenção de forma popular, na tarde do dia 26, às 13 horas. Aline, André, Karen, Cristiane e Anderson acham que o frio de Florianópolis é pior que o frio na barriga que sentiram ao andar de avião pela primeira vez para chegarem ao evento.
Um grande painel instalado no salão principal do Centrosul com o logo do Congresso é parada obrigatória dos congressistas para fotografias. Uma destas pessoas que se sentou no painel e fez pose foi Luiz Veiga, que por 28 anos foi usuário de droga e há vinte está “limpo”. "Com base na minha dor eu criei o centro de reabilitação de usuários de drogas Nova Vida", diz Luiz, de 64 anos, que veio de Belém, no Pará, em busca de conhecimento, especificamente sobre redução de danos. De barba branca e bengala, Luiz acumula doze processos judiciais do tempo que, segundo ele, vivia no mundo cão, onde roubou, matou, usou cocaína, maconha, álcool e medicamentos. O Centro Nova Vida tem atualmente 40 residentes que vêm de todo o estado do Pará.
Do Amazonas vieram para Florianópolis Antonio Ricardo, PHIV há doze anos, Lucas Arruda Neto, PHIV há dezenove anos e Julio Rodi, PHIV há oito anos e presidente da ONG Katirô, que numa língua indígena significa vida. Para Antônio, o VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST/Aids é como a reunião de uma grande família, onde existe a liberdade da troca de experiência. Lucas, cego e com uma máquina fotográfica na mão para mostrar para a família detalhes do Congresso, acha que as novas experiências é que contam num encontro como este. Julio, presidente da ONG, quer aproveitar o Congresso para reafirmar seu trabalho e orgulha-se do Brasil ser, apesar de um país em desenvolvimento, um modelo mundial no tratamento e prevenção das DST/Aids.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Olha, tem casa que dá vontade de mandar benzer. É muita tecnologia. As coisas funcionam na base da magia negra, só pode. E eu achava moderno fogão com acendimento automático. Olha que jeca! Na era da persiana e churrasqueira elétrica, vocês já viram a quantidade de controle remoto na casa dos descolados? Um pra tv, um pro dvd, um pra tv a cabo - canais ímpares, outro pra tv a cabo - canais pares, um pra o home theater, um pra isso, um pra aquilo...MEDO! Eu que só sei jogar pac mam e me atrapalho com qualquer controle com mais de três botões fico imaginando onde o mundo tecnológico vai parar. Tá certo que tudo isso gira em torno de uma proposta de conforto. Mas vem cá, eu duvido que alguém conheça todas as funções daqueles controles remoto power plus advanced que controlam até a temperatura do chuveiro do vizinho da rua de trás. Ou pior, eu duvido que alguém já não tenha desregulado todos os canais da tv, os idiomas do dvd ou os agudos do home theater (tem disso, não tem?) desbravando aqueles botões que, pra ajudar, trazem intrigantes cores e formatos diferentes. Sinceramente, um botão pra ligar e desligar, um pra mudar o canal, um pra regular o volume e um com a função sleep estava de ótimo tamanho. Todo o resto, que eu nem imagino pra que serve, só faz a pessoa se sentir parte do núcleo moderno da sociedade, aquele núcleo que sobrevive matando a sede com água sabor limão levemente gaseificada. Definitivamente nada é como antes.sexta-feira, 16 de maio de 2008
Enquanto alguma piriguete dança no seu quadrado, enquanto um padre voador tem idéias kamikaze e, enquanto uma terceira pessoa joga uma criança pela janela, o mundo gira na velocidade seis da dança do creu. Não há quem acompanhe. Eu mesma queria que meu dia tivesse pelo menos trinta horas, das quais eu continuasse trabalhando doze, e me sobrassem outras tantas pra eu fazer coisas como almoçar, ligar para dar feliz aniversário aos amigos, cortar o cabelo e até atualizar o blog. Com certeza o relógio acelerou. O rádio-relógio digital importado do Paraguay que tinha lugar de destaque na estante da sala da minha casa quando eu tinha uns seis anos de idade era muito mais lento. Talvez seja culpa da cor da tinta do cabelo da Suzana Vieira, da insistência da permanência do Rubinho na Fórmula 1 ou das coreografias da Joelma, mas a terra parece que quer girar mais rápido. Vivemos um tempo em que as 24 horas de um dia viram enlatado de TV e onde frações de segundo mudam toda a vida da Lola, e a minha também. Já estou atrasada pra alguma coisa. Fui.
Assinar:
Postagens (Atom)